Separação e Divórcio – Como podemos ajudar a criança?

Uma separação é sempre um momento de grande crise, sobretudo quando o casal tem filhos. Para a criança, este é sempre um momento dramático em que se geram uma série de inseguranças e conflitos internos dado que a realidade familiar que esta conheceu até então, e que é o eixo central do seu mundo, sofre uma profunda alteração.

 

Existem alguns aspectos que podemos ter em conta (sempre dentro das nossas reais possibilidades) e que são facilitadores da adaptação a esta nova realidade.

 

Preparar a criança

A partir do momento em que é tomada a decisão definitiva de se separar, o casal precisa ponderar quando partilhar a sua decisão com a criança, para que esta se possa preparar. Quanto mais nova for a criança, mais perto do momento da saída deverá ser partilhada a decisão, pois a noção do tempo é diferente da do adulto e a criança poderá alimentar fantasias de reconciliação ou mesmo sentir-se enganada pelos pais.

 

Dentro do possível, manter as rotinas e ambientes

Apesar da separação e da necessidade de alteração nas rotinas, é importante fazermos um esforço para tentar manter ao máximo o dia-a-dia da criança – a escola, a zona de residência, os amigos, as actividades… Para a criança é importante sentir que parte do seu mundo se mantém inalterada.

 

Definir e comunicar à criança a forma como o contacto com cada um dos pais vai ser mantido

A criança tem a necessidade, e o direito, de saber quando e como vai poder estar com cada um dos progenitores. Assim, é importante que este aspecto fique decidido à partida e lhe seja comunicado, mesmo que seja um acordo apenas provisório e que, mais tarde, seja necessário ajustar o mesmo.

 

Assegurar à criança o amor dos pais

Nesta fase de crise, a criança necessita de ser constantemente assegurada de que o amor que os pais nutrem por si está inalterado e que a decisão da separação não esteve de forma alguma relacionada com alguma falha da sua parte (como comumente fantasia) ou com o facto de algum dos pais gostar menos dela.

 

Manter as relações familiares e os contactos

Dentro do possível, a criança beneficiará bastante de manter o contacto regular com ambas as famílias, tal como antes da separação. As relações familiares são um pilar de estabilidade e a manutenção destes laços ajudará a criança a adaptar-se à sua nova realidade.

 

Evitar falar com a criança sobre os conflitos entre adultos

A criança deve ser protegida ao máximo de qualquer conflito ou animosidade entre os pais. Tanto estes, como os restantes familiares e amigos, terão de ter em conta que a criança ama ambos os progenitores e que está numa situação de crise. Sujeitar a criança a informação deste género apenas contribui para agravar a sua dor e ressentimento.

 

Incentivar a criança a manter contacto com o outro progenitor

Em todas as situações em que esteja garantida a segurança e o bem-estar da criança e independentemente do relacionamento que o ex-casal mantenha entre si, é vital que cada um dos pais incentive a criança a relacionar-se com o outro e lhe demonstre que é perfeitamente natural que esta continue a nutrir os mesmos sentimentos em relação a cada um. Em situação alguma devemos contribuir para que a criança se sinta culpada, tenha necessidade de esconder os seus sentimentos ou de “escolher um lado”. A separação é referente ao matrimónio, não à parentalidade.

 

Escutar a criança

Durante este período de transição é importante estarmos especialmente atentos ao que a criança nos transmite – quer verbalmente, quer através de comportamentos, atitudes… e criarmos um espaço seguro e de não-julgamento para esta se expressar e tentar fazer sentido de tudo o que está a experienciar.

 

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Stress Infantil

Stress Infantil

O que é?

Tradicionalmente pensava-se que o stress patológico (distress) acometia apenas os adultos, sobrecarregados com as inúmeras solicitações do dia-a-dia. No entanto, o conceito de infância enquanto período de felicidade plena, sem responsabilidades nem “dores de cabeça” tem vindo a ser deitado por terra pelas investigações mais recentes e, hoje em dia é sabido que, tal como outras perturbações (por exemplo, a Depressão) as crianças também sofrem de stress.

 

Quais as principais causas?

Entre as causas diagnosticadas como fontes de stress infantil mais recorrentes encontramos os lutos/perdas familiares (morte, divórcio…); a mudança de escola ou residência; a violência doméstica ou a existência de conflitos entre os familiares mais próximos; o consumo de substâncias tóxicas ou alcoolismo nos pais ou prestadores de cuidados; a existência de exigências exageradas relativamente ao desempenho escolar; o nascimento de um irmão e as doenças e hospitalizações.

 

Como se manifesta?

Normalmente esta perturbação tende a surgir no início da idade escolar (por volta dos 5/6 anos) e, embora se possa manifestar de forma diferente de criança para criança, existe um conjunto de sinais que nos permitem identificar algum nível de desconforto na criança. A nível comportamental, tendem a surgir manifestações como: pesadelos, ansiedade e medo excessivo, choro frequente, agressividade e desobediência, hiperactividade e instabilidade emocional. Estes sintomas são frequentemente acompanhados por alterações físicas como: Diarreias frequentes, enurese nocturna (fazer xixi na cama); dores de cabeça e/ou de barriga; tensão muscular; falta de apetite, tiques nervosos; roer as unhas e náuseas.

 

Tal como nos adultos, esta patologia tende a agravar outros quadros já existentes como alergias, asma, obesidade, etc. uma vez que o stress tem efeito directo sobre o sistema imunitário do individuo.

 

Como posso ajudar?

A criança que apresenta sintomas de perturbação de stress deverá ser avaliada por um técnico especializado pois, esta perturbação, para além do sofrimento que causa por si só, poderá estar aliada a outras complicações como a Depressão Infantil, baixa auto-estima e/ou perturbações de adaptação.

 

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Ferias para recordar

Férias para Recordar

As férias de verão são sempre um dos momentos mais aguardados do ano. A família está reunida e o tempo convida a sair portas fora, descobrir novos caminhos e viver novas aventuras em conjunto.

Para tornar estas férias ainda mais especiais, partilho convosco um conjunto de ideias pensadas para as transformar em memórias divertidas e duradouras.

Sonhar as Férias em Conjunto

Uma das formas de tornar as férias mais especiais é envolver as crianças na sua preparação. De acordo com a idade de cada um, podemos falar-lhes sobre o destino escolhido, sobre actividades que poderemos realizar em conjunto e pedir sugestões para incluir no plano de férias.
As crianças em idade escolar, poderão gostar de pesquisar informações sobre os locais a visitar e contribuir para enriquecer a experiência.
Tirar uns minutos para ir sonhando as férias em conjunto, permite à criança valorizar e antecipar a experiência, sentindo-se como parte activa e importante na construção deste plano em família.

Criar um Scrapbook de Verão

Com um caderno simples, podemos criar um tesouro para relembrar durante décadas.

Para tal, basta irmos registando em conjunto, as nossas aventuras de verão. Podemos escrever, desenhar e colar fotos, bilhetes, bocados de mapas, flores e todos os pequenos tesouros que vamos descobrindo ao longo do caminho.

Uma alternativa mais prática é criar um foto diário, mas não tem a mesma magia que a versão física, que permite muito mais liberdade criativa por parte da criança.

As crianças adoram esta actividade, pois pode ser adaptada a quase todas as idades e permite-lhes relatar as suas experiências na primeira pessoa.

Dar Férias à Tecnologia

A tecnologia é fantástica! No entanto, por vezes, passamos tanto tempo online que não conseguimos usufruir das pequenas maravilhas que acontecem à nossa volta.

E se aproveitassemos o tempo de férias para deixar de lado os telemóveis, tablets e afins de lado durante a maior parte do tempo?

Desta forma teremos mais tempo e disponibilidade para estarmos com as nossas crianças, estaremos a ensinar-lhes que é possível vivermos e divertimo-nos sem recorrer a gadgets e, no final de cada dia, podemos até criar um momento de tecnologia para toda a família.

Reservar Tempo para Não Fazer Nada

Uma das principais preocupações dos pais em período de férias é como ocupar os mais pequenos.

No entanto, gostaria de vos propor a ideia de planearmos tempo para estarmos desocupados. Tempo para simplesmente sermos e estarmos juntos em família ou para aprendermos a estar connosco próprios.

Para as crianças, o tempo de ócio não planeado é vital para o desenvolvimento da sua criatividade, para a gestão das suas emoções e para o desenvolvimento da capacidade de resistência ao tédio e à frustração. Se resistirem a vê-los deitados pelo chão, com um ar extremamente aborrecido, queixando-se ao mundo de que “nunca tenho nada para fazer” e lhes derem espaço e tempo, serão presenteados com muitas soluções criativas que os deixarão divertidos durante horas.

Fotografia de Férias é coisa de Crianças

Uma ideia gira para termos uma perspectiva diferente das férias é dar aos mais novos a oportunidade de fazer um registo fotográfico das mesmas.

Basta uma máquina infantil ou mesmo uma máquina já sem uso que tenhamos por casa. O que interessa é dar asas à imaginação.

Registar o dia-a-dia do seu ponto de vista, para além de os fazer sentir que têm um papel importante, vai levá-los a olhar o que os rodeia de uma nova forma, estimular a criatividade e oferecer a toda a família um registo diferente e original das férias. E quem sabe, não estaremos a descobrir um verdadeiro talento!

Aprender Fazendo

As férias podem também ser um período de consolidação das aprendizagens escolares.

Ao envolvermos as crianças nas actividades do dia-a-dia estamos a permitir que pratiquem e que consolidem as aprendizagens que fizeram ao longo do ano lectivo.

Alguns exemplos básicos são: fazer a gestão do dinheiro numa ida ao supermercado, cozinhar seguindo uma receita ou descobrir como se chega a determinado destino utilizando um mapa mas, com um pouco de imaginação, encontramos inúmeras formas de aplicarem os conhecimentos que adquiriram e, em simultâneo, sentirem-se úteis e valorizados na dinâmica familiar.

Tempo para Conversar

O tempo de férias, em que estamos juntos mais tempo e no qual estamos mais disponíveis e presentes, sem as constantes interrupções e solicitações da vida diária, é o momento ideal para nos reencontrarmos enquanto família.

Podemos aproveitar este tempo para voltarmos a descobrir quem cada um de nós é: que novos gostos desenvolveu, que temas ocupam a sua mente atualmente, que sonhos e projectos tem…

Ter tempo para conversar, ouvir e partilhar ideias de forma regular, com os diferentes elementos da família, é vital para o desenvolvimento emocional da criança.

Explorar Novos Interesses

Aproveitar o tempo livre para ampliar os nossos horizontes e descobrir novos interesses é uma excelente forma acrescentar valor às férias em família.

Conhecer outros lugares, experimentar novos desportos, actividades criativas ou mesmo encontrar refúgio num livro completamente diferente do habitual, são formas de expandirmos o nosso mundo e de nos encontrarmos com outras facetas de nós próprios.

No que respeita aos mais pequenos, poder usufruir de experiências variadas ao longo do crescimento, vai-lhes permitir um maior conhecimento sobre o mundo, sobre si próprios e sobre os seus interesses e vocações.

Estimular a Imaginação

A imaginação é uma espécie de super-poder que nos permite criar mundos alternativos, sonhar muito para lá do que conhecemos e ultrapassar obstáculos que se nos colocam.

O reino da imaginação é, por excelência, o reino da infância, de tal forma, que a criança pequena tem grande dificuldade em distinguir o que é imaginado do que é real.

Dedicar tempo a estimular e a valorizar a imaginação da criança, vai permitir-lhe dar rédea solta ao seu instinto natural criativo e ajudá-la a desenvolver-se de forma harmoniosa.

As formas de estimular a imaginação esgotam-se apenas na medida da nossa própria capacidade de as criar. Podemos optar por jogos mais ou menos estruturados, como a criação de histórias (podemos recorrer até aos Story Cubes, que vos falei há umas semanas) ou mesmo jogos de faz de conta, ou então, simplesmente, deixar-nos conduzir pelas conversas da criança até ao seu reino encantado.

Criar Novos Planos

Quando o final das férias se começa a aproximar e se instala uma certa nostalgia, podemos prolongar o sentimento positivo que mantivemos durante esta pausa, elaborando novos planos para o futuro próximo.

Imaginar com a criança como será o regresso à rotina do dia-a-dia, de que coisas temos mais saudades, que novos interesses podemos incorporar, o que irá ser diferente neste novo período e o que se manterá igual… Todas estes aspectos são importantes e devem ser pensados e conversados em conjunto, para que a criança sinta que a sua opinião é valorizada e se possa preparar para o regresso às rotinas.

Criemos também espaço para imaginar novos projectos, actividades e destinos que queiramos conhecer e desenvolver no futuro pois, como dizia Sebastião da Gama, pelo sonho é que vamos!

Boas Férias!

 

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Slow Parenting Pais sem Pressa

Pais sem Pressa – Uma abordagem Slow à parentalidade

Nos últimos anos têm surgido inúmeros movimentos Slow – correntes ideológicas que apelam aos benefícios de uma vida mais tranquila, mais harmoniosa e, no fundo, mais consciente e focada nos valores que nos são importantes.

Mais recentemente, tenho ouvido falar muito em Slow Parenting – ou movimento Pais sem Pressa, o que me pareceu um conceito bastante interessante e me levou a investigar e a querer partilhar convosco um pouco sobre este movimento, que vai muito de encontro à abordagem que faço à parentalidade.

Se diz muitas vezes para si próprio “É sempre tudo a correr…” ou “Não tenho tempo para nada!” e sente que o tempo em família é passado sobretudo no carro, a correr de compromisso em compromisso ou na rotina banhos-jantar-cama, provavelmente sente que necessita de uma nova forma de encarar o dia-a-dia que lhe(vos) permita  usufruir mais dos tempos em família.

O Slow Parenting nasceu nos Estados Unidos e tem como um dos principais impulsionadores, Carl Honoré, um jornalista e escritor que se dedica a difundir a mensagem Slow nas suas diferentes vertentes.

De uma forma muito simples, este movimento Pais sem Pressa, apela a uma desacelaração do ritmo a que vivemos o dia-a-dia em família e à de uma consciencialização plena nas escolhas que fazemos para o nosso tempo.

Com esta abordagem, procuramos introduzir progressivamente mais tempo de qualidade através da simplificação do dia-a-dia da criança. Aqui o tempo de “não fazer nada” ganha um papel central. Ao contrário da cultura de eficiência e produtividade máxima em que vivemos actualmente, defende-se a criação de um tempo para apenas estar e ser, em família – para conversar, jogar um jogo, pintar ou brincar sem estrutura nem objectivo predefinido. Da mesma forma, defende-se que a criança deverá ter, diariamente, tempo não estruturado para estar e que devemos deixá-la aprender a gerir o tédio, pois este é o berço da criatividade.  Para tal, os impulsionadores do movimento alertam para o facto que as crianças até aos 5 anos não necessitam de actividades estruturadas e devem ser deixadas a brincar livremente. Por outro lado, afirmam que  as actividades extra-curriculares das crianças em idade escolar deverão ser limitadas de forma a que a criança tenha tempo livre todos os dias e que a opinião da criança deverá ser sempre tida em conta nas escolhas destas actividades.

Outra questão central é o respeito pelo ritmo de desenvolvimento da criança. Hoje em dia, os pais são bombardeados com tabelas de crescimento, etapas de desenvolvimento e toda uma parafernália comparativa que serve, sobretudo para aumentar os niveis de ansiedade parental e criar pressão desnecessária sobre pais e criança, levando muitas vezes a situações de sobrestimulação e stress infantil. Este movimento defende que a estimulação seja feita ao ritmo e de acordo com o interesse da criança, deixando-a livre para que se aproprie dos conhecimentos e competências no momento correcto para si.  A comparação sempre foi inimiga da felicidade e, quando falamos de desenvolvimento infantil, esta máxima tem de ser tida como regra fundamental.

Ser um Pai sem Pressa passa ainda por investir em estar mais presente emocionalmente, sem telemóveis (quantas vezes já demos connosco de telemóvel na mão enquanto brincávamos com os nossos filhos), sem multitasking, sem stress.  É reservar um pouco de nosso tempo para estarmos totalmente presentes e focados no momento.

Esta é, sem dúvida, uma abordagem muito interessante e, embora compreenda que é difícil simplificar, dado o ritmo a que as nossas vidas se desenrolam, penso que este conceito de “desacelerar”, pode tornar-se numa das mais impactantes decisões que podemos tomar no caminho do nosso bem-estar e do desenvolvimento harmonioso dos nossos filhos.

Convido-vos também a investigar e a conhecer mais sobre este tema.

 

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criança medo

Estratégias para Ajudar a Criança a Enfrentar o Medo

Ao longo das diferentes idades, a criança vai desenvolvendo medos que estão, muitas vezes, ligados a situações comuns do dia-a-dia que, por uma razão ou por outra, vão de encontro às fragilidades de determinada fase do desenvolvimento. Estes receios são partilhados por muitas crianças e na grande maioria dos casos, são ultrapassados naturalmente.

A tarefa de enfrentar os seus desafios e conquistar autonomia cabe á criança. No entanto, os pais têm um papel central no desenrolar desta conquista. Pais que apoiam a criança, estando presentes e criando um ambiente seguro e tranquilizante são os maiores aliados que a criança poderá encontrar.

Existem diversas formas, através das quais podemos dar à criança o suporte que ela necessita para se autonomizar. Aqui ficam algumas ideias:

 

Transmita à criança bastante informação

É muito importante explicar à criança, de forma adequada à sua idade, o modo como o mundo funciona e como acontecem as coisas que ela considera assustadoras. Apropriar-se de informação vai permitir-lhe tornar previsível o que antes era assustador e sentir-se mais confiante. Por exemplo, a uma criança pequena que está transtornada por causa de um balão ter rebentado, podemos dizer “Estás assustada por causa do ruído que o balão fez ao rebentar. Sabias que balões são muito divertidos para brincar mas quando se estragam fazem um barulho muito alto? É como se nos estivessem a dizer adeus”. Esta explicação simplista vai permitir que a criança faça algum sentido do que antes era um som imprevisível.

Com crianças em idade escolar e adolescentes podemos fazer uso da internet para os ajudar a descobrir informações sobre os seus receios, como por exemplo, como se formam as catástrofes naturais ou quais os recursos existentes na vossa área de residência. Esta é também uma excelente forma de criar um espaço para a criança partilhar os seus receios consigo e sentir-se apoiada. Deverá no entanto, ter a preocupação de pesquisar fontes credíveis e que transmitam informação útil e sem alarmismo.

 

Conheça e ensine os sintomas físicos da ansiedade

Cada pessoa reage á ansiedade de forma diferente. Aprenda a distinguir o conjunto de sintomas de ansiedade da criança e ensine-lhos para que ela possa ganhar uma maior sensação de confiança e controlo sobre a situação. Para ultrapassar uma crise, é vital que a criança saiba que é natural não se sentir sempre bem e que a ansiedade pode fazer com que, por exemplo, vomite ou que o seu coração bata muito depressa, mas que isso não é sinal de que está doente ou que algo de mal lhe vá acontecer, é apenas reflexo do medo que sente e vai passar rapidamente.

 

Dê nome aos medos

O primeiro passo para conquistar qualquer dificuldade é reconhecer a sua existência. Ao ensinarmos as crianças desde cedo a nomear e a falar sobre as suas emoções, positivas e negativas, estamos a dar um contributo inestimável para o seu desenvolvimento saudável e ajustado pois aumentamos a sua capacidade de identificar e gerir os seus estados emocionais. No que respeita ao medo, devemos dar espaço à criança para se expressar livremente sobre o que a preocupa e ajudá-la a nomear as experiências, quando ainda não consegue fazer sentido delas.

 

Crie espaço para a criança se expressar

Por exemplo, crianças mais extrovertidas e conversadoras necessitam que os pais lhes dediquem mais tempo para os ouvirem contar todas as suas novidades, sonhos, ideias, etc. Por vezes, podem tornar-se um pouco cansativas ou exigentes, sobretudo depois de um dia de trabalho complicado. Uma estratégia para que estas crianças se sintam apoiadas sem que os pais entrem em burnout, pode passar por atribuir algumas das tarefas de fim de dia à criança para que ela possa ir ajudando enquanto vai conversando com os pais.

Por outro lado, as crianças mais introvertidas, têm maior tendência a isolar-se e a recusar-se a falar sobre os seus sentimentos e preocupações, podendo reagir negativamente se se sentirem pressionadas para partilhar as suas angústias.

Por vezes é útil usar um meio de mediação, como por exemplo, criar um diário de emoções com a criança, no qual possam desenhar a forma como se sentiram durante o dia que passou e, a partir daí conversar sobre o que aconteceu para que se sentissem assim e o que podia ter sido diferente. É importante que o adulto também participe de forma honesta, pois mostra à criança que é natural ter emoções positivas e negativas e que todos lidamos com algumas dificuldades. Naturalmente, não estaremos a sobrecarregar a criança com os problemas do adulto, mas a dar alguns exemplos simples que a ajudem a compreender e a empatizar. Por exemplo “hoje senti-me muito irritada porque perdi o autocarro e cheguei atrasada ao trabalho.”

 

Utilize o jogo

Para a criança, o brincar é como um ensaio da vida real. Através do jogo, a criança dramatiza os seus conflitos e explora, de forma segura, alternativas de resolução dos mesmos. Procure introduzir o tema que causa ansiedade à criança nas vossas brincadeiras e deixe que seja ela a guiar-vos pelos caminhos da fantasia, rumo às soluções possíveis.

 

Não evite nem sobreproteja

A reacção mais comum das crianças às situações que lhes causam medo é evitá-las. Isto pode condicionar seriamente a vida familiar quando os pais se tornam aliados da estratégia para tentar poupar a criança de se angustiar. Deixar a criança faltar à escola um dia porque se sente muito ansioso, não ir dormir a casa do colega porque tem receio de deixar os pais sozinhos, ou não ir ao parque porque passeiam lá muitos cães, parecem ser soluções práticas e rápidas para o conforto da criança, mas reforçam a noção de que existe um perigo verdadeiro e rapidamente a criança vai generalizar este comportamento a outras situações até que a sua vida e a da restante família se torna insustentável.

Não se trata de forçar violentamente a criança a enfrentar as situações, mas em tranquilamente, explicar que existem situações que não são opcionais – como a frequência da escola, uma visita ao médico, etc. e outras que são negociáveis, mas que são momentos de prazer para a criança e que ela não se deve privar por causa do medo, uma vez que é possível ultrapassá-lo.

 

Ajude-os a explorar o medo de forma segura

Incentive a criança a ultrapassar os seus receios progressivamente e ao seu ritmo. Se a criança tem medo de cães, por exemplo, pode ir-se familiarizando com os cães em fotografias e desenhos, posteriormente, ir vê-los no parque à distância e, quando se sentir preparada, pode ir visitar o cão de um amigo que seja bastante calmo. Peça opinião á criança sobre estratégias para ir conquistando o medo e vai surpreender-se com a velocidade com que esta sugere ideias e toma as rédeas do seu próprio processo de independência.

 

Utilize um objecto de conforto

Um objecto de conforto pode transmitir uma maior segurança á criança quando esta se sente ansiosa. Por vezes, podemos ficar receosos de que a criança fique dependente desta estratégia para enfrentar os seus medos, mas com uma dose de bom senso, é possível utilizá-la com bastante sucesso.

Os objectos de conforto não se limitam apenas aos brinquedos de peluche e bonecos fofinhos aos quais a criança se apega. Podemos também ter objectos de conforto mais orientados para a acção, como por exemplo, uma criança que tem medo do escuro poderá ter uma lanterna em vez de uma luz de presença. Isto permite que seja a criança a controlar e a direccionar a luz quando sente que precisa dela. Outro exemplo bastante comum, é o spray anti-monstros com o qual as crianças borrifam a parte de baixo da cama ou o guarda-vestidos antes de se deitarem. Estes objectos não deverão ser encarados como solução definitiva para o problema, mas sim como uma ferramenta auxiliar temporária.

 

Esteja atento à informação que chega à criança

Tenha um papel activo no entretenimento e construção de saber dos seus filhos. Á medida que a criança entra na fase escolar e posteriormente na adolescência, esta tarefa torna-se cada vez mais complicada, pelo que é muito importante não só acompanhar a informação que a criança recebe, como estimular desde muito cedo, o sentido crítico da criança relativamente ao mundo que a rodeia.

 

Acompanhe o ritmo da criança

Cada criança é um indivíduo único e irrepetível e, o que para uns é natural e prazeroso, para outros pode ser um verdadeiro pesadelo. Há crianças que são naturalmente sociáveis e que adoram novos desafios e outras que são mais reservadas ou que precisam de mais tempo para se adaptar às mudanças. Procure respeitar a maneira de ser da criança e adaptar-se ao seu ritmo.

 

Celebre as tentativas de ultrapassar a situação

Celebre com a criança todas as suas tentativas para conquistar o medo. Todos sabemos que é complicado arriscar e colocarmo-nos em situações desconfortáveis. É vital para a criança que esse esforço seja valorizado (quer produza resultados ou não) e que esta se sinta apoiada por parte dos pais. Desta forma poderá construir uma base segura, a partir da qual possa arriscar novas tentativas. O processo de autonomização é, como tantos outros, feito de avanços e recuos. É necessário assegurar à criança que os retrocessos, quando ocorrem, são naturais e fazem parte do percurso.

 

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estudar para os exames finais sem stress

Estudar para os Exames Finais sem Stress

Para quem está a terminar o 12º ano, junho é sinónimo de exames. As férias de Verão estão tão perto e,no entanto, parecem uma miragem no deserto dos exames finais. É fácil a ansiedade instalar-se e tornar a tarefa de estudar num trabalho penoso e interminável.

Para ajudar os nossos estudantes a prepararem-se para os exames, sem stress desnecessário, preparei uma pequena lista com alguns dos aspectos mais importantes num plano de estudos eficaz.

 

1. Reserva tempo para te organizares – A organização de um plano de estudo é um dos elementos fundamentais para o seu sucesso. Pega na tua agenda e reserva algum tempo para organizares o teu espaço, os materiais e planeares as tuas sessões de estudo.

 

2. Organiza um cronograma de estudo – Cria um esquema onde visualizes a totalidade da matéria que precisas estudar e reparte-a pelos vários dias, criando objectivos diários.

 

3. Ouve o teu relógio biológico – Adapta as tuas sessões de estudo às horas em que te sentes mais produtivo. Por ex: aproveita para memorizar nos períodos em que te sentes com maior capacidade e utiliza os períodos em que te sentes menos concentrado para rever apontamentos ou preparar outras sessões.

 

4. Dá prioridade às tarefas/temas que menos gostas – Procura começar as sessões de estudo pelos temas que te despertam menos interesse, pois assim à medida que o estudo vai avançando, a motivação pelos temas que realmente gostas vai compensar o cansaço que possas sentir.

 

5. Agenda tempos livres – As actividades de lazer, descanso, desporto ou estar com os amigos são tão importantes para o sucesso do plano como o estudo em si, pois o teu cérebro necessita desses momentos de descontração para se equilibrar e te manter motivado.

 

6. Adapta o estudo ao teu estilo – Pensa no que gostas de fazer no dia-a-dia e como podes incorporar o estudo nessas actividades, por forma a facilitar a tua aprendizagem. Há quem prefira estudar por um livro e quem use a internet. Há quem goste de usar cartões de perguntas (flashcards) e quem prefira ouvir a matéria ou vê-la em vídeo. Hoje em dia as hipóteses são quase infinitas, só depende da tua imaginação.

 

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Atitudes que favorecem a Auto-estima

6 Atitudes que favorecem a Auto-Estima na criança

O desenvolvimento de uma auto-estima saudável é um dos aspectos mais importantes para o bem estar da criança. Uma criança detentora de uma boa auto-estima é uma criança segura e confiante, que conhece as suas qualidades e habilidades, assim como as suas limitações. É uma criança que se sente bem em grupo e que sabe respeitar e fazer-se respeitar.

Existem inúmeras formas de nós, enquanto pais e cuidadores, nutrirmos este sentimento de competência e amor-próprio nos nossas crianças. Este poster reúne algumas dessas atitudes fundamentais que podemos adoptar no dia-a-dia.

Atitudes que favorecem a auto-estima

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Depressão na Adolescência

A adolescência é uma fase da vida pautada por ambiguidades e contradições. Existe uma grande mudança em relação ao mundo que o indivíduo conheceu enquanto criança: mudam as relações com os pais, com o grupo de pares, muda o corpo, mudam as vontades…
Acompanhando todas estas mudanças, encontramos sentimentos de angústia, de confusão e, muitas vezes, de incapacidade de decidir o que fazer relativamente ao futuro. Estes sentimentos tornam-se especialmente relevantes quando o adolescente está inserido num seio familiar que também está em crise (divórcio, violência doméstica, doença ou morte de um familiar, alcoolismo e outros consumos..).

A depressão neste período difere bastante da depressão do adulto, podendo, por exemplo, revelar-se através de comportamentos turbulentos e agitados. É, por vezes, difícil de identificar dadas as alterações frequentes do humor, que são características desta etapa da vida.

Mesmo assim, existe um conjunto de aspectos a que pais, professores e todos aqueles que lidam com adolescentes devem estar atentos e que, podendo não ser preocupantes quando surgem isoladamente e por um curto período de tempo, são indícios que o adolescente se encontra face a uma situação problemática, e que necessita de apoio:

  • Sensação de cansaço inexplicado
  • Pouca confiança em si próprio
  • Sensação de insucesso, de não ser valorizado, de “não prestar para nada”
  • Falta de perspectivas para o futuro
  • Baixa auto-estima
  • Dificuldades em conciliar o sono (insónias)
  • Dores em localizações diversas e, muitas vezes alternadas (cabeça, barriga, costas, pontadas no peito).
  • Perda de apetite e consequente perda de peso, ou pelo contrário, aumento significativo do apetite e do peso, com dificuldade de controlo
  • Quebra no rendimento escolar
  • Dificuldades de concentração
  • Comportamentos agressivos e violentos com passagens ao acto frequentes
  • Pensamento lentificado
  • Isolamento extremo
  • Desinvestimento súbito na aparência física

O meu filho parece deprimido, como gerir a situação?

  • Em primeiro lugar deve sempre procurar conversar com o(a) seu (sua) filho(a) e mostrar-se disponível para o ouvir. É importante salientar que para além da figura de pai/mãe, existe uma pessoa que também já viveu a adolescência e os seus problemas e que, está disposta a partilhar experiências de vida.
  • Evite julgar ou aproveitar o que lhe é confiado, neste momento, pelo(a) adolescente para aplicar castigos, caso contrário, dificilmente voltará a confiar.
  • Marque uma consulta com o seu médico assistente e/ou peça o agendamento de uma consulta de psicologia (centros de apoio ao adolescente, consulta de psicologia do centro de saúde ou hospital da área ou consulta privada).O profissional especializado nesta área fará um despiste inicial e poderá averiguar a gravidade da situação.

HIPOCONDRIA – A MANIA DAS DOENÇAS

A Hipocondria é uma perturbação que se caracteriza por uma extrema preocupação com a saúde, acompanhada de um forte receio de sofrer de uma doença grave. As pessoas que sofrem desta perturbação consultam muito frequentemente vários médicos e submetem-se a exames por vezes dolorosos mas, no entanto, não encontram conforto perante a ausência de um diagnóstico.
Apesar de ser encarada levemente pelo senso comum, a “mania das doenças”, como é muitas vezes apelidada, é um quadro clínico do espectro das perturbações de ansiedade, tão sério como qualquer outro diagnóstico e, afecta significativamente a vidas dos sujeitos que dela padecem.
Esta perturbação é tão frequente em homens como em mulheres e pode ser encontrada em pessoas de todas as idades e grupos sociais.Os sintomas são reais – dores de cabeça, náuseas, dores de barriga, tonturas, fadiga, etc. – mas são vivenciados como mais graves do que realmente são. O tipo de queixa pode ser estável ou variar ao longo do tempo e, tanto podem tratar-se de queixas vagas como específicas.
A Hipocondria tem tido, nos últimos anos, a Internet como grande aliada, sendo até já apelidada de Cibercondria, uma vez que os indivíduos com esta perturbação tendem a procurar em sites de medicina, doenças que se enquadrem nos seus sintomas.
O tratamento da Hipocondria requer um empenho activo, por parte do paciente, e pode ser demorado. No entanto, com um acompanhamento piscológico adequado, a pessoa torna-se capaz de identificar e reduzir a sua ansiedade e de ter uma sólida consciência corporal que lhe vai permitir distinguir uma sensação de mal-estar específico de uma doença grave. O primeiro, e mais importante, passo é a tomada de consciência da perturbação e a procura de auxílio.